
Crisântemo
Floresce no outono e chega aos mercados em força nas semanas antes do feriado, em vaso ou em molhos. Os brancos e os amarelos são os mais procurados, mas há bordô, lilás e cor de cobre. Numa jarra ao ar livre aguenta uma a duas semanas.
No fim de outubro, os mercados enchem-se de crisântemos e os cemitérios recebem mais visitas do que em qualquer outra altura do ano. Aqui tens o essencial para escolher as flores, preparar a campa e lembrar quem já partiu, mesmo que estejas longe.
Pela tradição da Igreja, o dia 1 é dedicado a todos os santos e o dia 2 aos fiéis defuntos, ou seja, a todos os que morreram. Na prática, as duas datas fundiram-se numa só ocasião de memória. Como só o dia 1 é feriado, é nesse dia que a maior parte das famílias vai ao cemitério, muitas vezes depois da missa da manhã. Quem vive longe da terra aproveita o fim de semana mais próximo para fazer a viagem.
O feriado esteve suspenso entre 2013 e 2015 e voltou ao calendário em 2016. Para muitas famílias, a visita nunca deixou de se fazer: limpa-se a pedra, muda-se a água da jarra, trocam-se as flores do ano anterior e acende-se uma lamparina. É também um dia de encontro, em que primos e vizinhos que só se veem de vez em quando se cruzam entre as campas.
Na manhã do dia 1, em muitas localidades, as crianças andam de porta em porta a pedir pão-por-Deus, com um saco de pano na mão. Recebem broas, nozes, romãs, rebuçados ou umas moedas. Há quem ligue o costume ao terramoto de Lisboa, que aconteceu precisamente a 1 de novembro de 1755, embora o hábito de dar pão aos pobres neste dia seja mais antigo. As broas dos santos, com mel, canela e frutos secos, e as primeiras castanhas assadas fazem parte da época, que se prolonga até ao magusto de São Martinho, a 11 de novembro.
A escolha das flores depende muito do sítio onde as vais pôr. Nos cemitérios portugueses convivem formas de sepultura muito diferentes, e cada uma pede um arranjo próprio.
É a mais comum nas freguesias do interior. Muitas lápides de mármore ou granito têm uma ou duas jarras embutidas. Mede a altura da jarra antes de comprar: flores de caule muito comprido ficam desequilibradas e tombam com o vento. Um ramo baixo e cheio, cortado à medida, fica melhor do que meia dúzia de hastes altas.
Nos cemitérios das cidades são frequentes os jazigos, pequenas capelas com porta e, às vezes, um altar interior. Lá dentro as flores estão protegidas da chuva, por isso um vaso de crisântemos ou um arranjo em esponja floral dura bastante mais. Se o jazigo tem chave, combina com quem a guarda antes de ires.
Nas sepulturas em parede, conhecidas como gavetões, e nos columbários para cinzas, o espaço é mínimo. Costuma haver um pequeno suporte para uma jarra estreita ou para uma única flor. Aqui, três ou quatro crisântemos de haste curta ou uma rosa branca chegam perfeitamente. Algumas administrações não permitem vasos no chão dos corredores.
Muitas câmaras municipais alargam o horário dos cemitérios e reforçam os transportes nos dias à volta de 1 de novembro, e algumas condicionam o trânsito nas ruas próximas. Vale a pena consultar o sítio da câmara ou da junta de freguesia antes de saíres de casa.
Não há regras escritas, mas há escolhas que se repetem de norte a sul. Estas são as mais frequentes:

Floresce no outono e chega aos mercados em força nas semanas antes do feriado, em vaso ou em molhos. Os brancos e os amarelos são os mais procurados, mas há bordô, lilás e cor de cobre. Numa jarra ao ar livre aguenta uma a duas semanas.

Uma opção sóbria para quem prefere não seguir o crisântemo. Uma só rosa num gavetão ou meia dúzia numa jarra de campa ficam bem. Compra-as ainda em botão, para que abram já no cemitério.

Crisântemos com gladíolos, cravos, lisiantos ou folhagem de eucalipto. Os gladíolos são muito usados nas jarras altas das campas do norte; os cravos aguentam bem o tempo húmido.

Gosta de fresco e de luz indireta, por isso dá-se bem no interior de um jazigo ou num parapeito em casa. Ao ar livre, debaixo de chuva forte, estraga-se depressa.
O branco e o amarelo dominam, mas não há obrigação nenhuma. Muitas pessoas escolhem a cor de que a pessoa gostava, ou flores do jardim que ela tratava. Num cemitério cheio de crisântemos amarelos, um ramo de rosas vermelhas para uma avó que as cultivava diz muito mais do que qualquer regra.
Quem passeia por um cemitério português nota logo a quantidade de flores artificiais. Têm uma vantagem óbvia para quem vive longe: não murcham e não precisam de água. As naturais, por outro lado, têm o gesto de ser trazidas pela própria mão, e acabam por se decompor sem deixar plástico. Uma solução comum é manter uma base artificial discreta durante o ano e juntar flores frescas nas datas que contam, como o 1 de novembro e o aniversário da pessoa. Se optares pelas artificiais, troca-as quando o sol as desbotar, porque um arranjo desfeito dá ar de abandono.
Se quiseres saber mais sobre algumas destas flores, lê os nossos guias sobre rosas, cravos e lírios.
No litoral, o problema raramente é o frio. O que estraga as flores na campa é a chuva forte, o vento e, nos dias limpos, o sol direto sobre a pedra. No interior norte e nas terras altas, como Trás-os-Montes ou a Beira interior, as madrugadas podem trazer geada.
Se ninguém vai mudar a água, escolhe um vaso com prato e terra bem regada em vez de flores cortadas. Um crisântemo em vaso pode manter-se bonito durante várias semanas, enquanto um ramo sem água fica seco ao fim de poucos dias.
Se não tiveres tempo para ir à florista, podes encomendar crisântemos ou um ramo de outono para uma morada, a tua ou a de um familiar, e levá-los depois ao cemitério.
Ver crisântemos →São coisas simples, mas é por causa delas que muitos arranjos ficam feios ao fim de dois dias:
Muitos portugueses vivem longe da terra onde estão os seus, seja noutra cidade, seja no estrangeiro. Para essas famílias, o 1 de novembro tem muitas vezes um sabor agridoce. Há formas simples de marcar a data mesmo à distância.
É o mais comum: um irmão, uma prima ou um vizinho que vive perto vai ao cemitério por ti. Podes encomendar um vaso ou um ramo para a morada dessa pessoa uns dias antes e combinar com ela a visita. Pede-lhe uma fotografia da campa já arranjada. Para quem está longe, essa imagem conta muito.
Acender uma vela junto a uma fotografia, pôr na mesa as flores de que a pessoa gostava ou cozinhar a receita que ela fazia são gestos discretos que muitas famílias mantêm. Há também quem vá à missa do dia 2 na paróquia onde vive e peça que o nome seja lembrado.
Nada obriga a que a visita seja a 1 de novembro. Muita gente prefere ir uns dias antes ou depois, com o cemitério mais calmo. O aniversário da pessoa ou o dia em que morreu são datas igualmente boas para levar flores.
Calha a 1 de novembro de 2027, uma segunda-feira. A data é fixa e é feriado nacional. O Dia dos Fiéis Defuntos, a 2 de novembro, não é feriado, e por isso a maior parte das famílias vai ao cemitério logo no dia 1 ou no fim de semana anterior.
Porque florescem naturalmente no outono, estão à venda em grande quantidade no fim de outubro e aguentam vários dias numa jarra ao ar livre. Com o tempo, tornaram-se a flor dos mortos em Portugal, e é por isso que quase ninguém os oferece como presente.
Depende da campa. Se a pedra tiver jarra fixa, um ramo cortado à medida é o mais prático. Numa campa rasa sem jarra ou à porta de um jazigo, um vaso de crisântemos aguenta mais tempo, porque não depende de ninguém para lhe mudar a água.
Na maioria dos cemitérios sim, e são muito comuns em Portugal porque não murcham. Algumas juntas de freguesia e câmaras pedem, ainda assim, que se retirem os arranjos estragados ou desbotados. Se a campa só é visitada de longe a longe, há quem combine uma base artificial com flores naturais nas datas importantes.
Muitas famílias pedem a um parente ou vizinho que vive perto para levar flores em seu nome. Podes encomendar um ramo ou um vaso para a morada dessa pessoa e combinar com ela a visita. Em casa, acender uma vela junto a uma fotografia é um gesto simples que muita gente mantém.
É um costume antigo da manhã de 1 de novembro: as crianças batem às portas da vizinhança a pedir pão-por-Deus e recebem broas, frutos secos, rebuçados ou bolos. Ainda se mantém em muitas localidades, e há escolas que o assinalam todos os anos.